domingo, 17 de agosto de 2014

Feminismo vs Feminilidade


Após a leitura deste post, voltou-me à mente um tema que por vezes me ocupa algumas horas de reflexão: o feminismo exacerbado.

No fundo, o que critico veementemente, são os extremismos. Eu consigo entender o feminismo no contexto em que ele surgiu. E dou-lhe todo o mérito! Foi fundamental o início desse movimento pelos direitos das mulheres! Os homens e mulheres que estiveram na origem dos movimentos feministas bateram-se por causas tão diversas de acordo com os diversos contextos e localizações geográficas. Direitos como o direito ao sufrágio, ao emprego, e igualdade de circunstâncias em diversas outras frentes (lugares de destaque na política, em posições de liderança em diversas áreas, etc.) foram adquiridos com muito esforço e luta por parte quer de mulheres, quer de homens. Não digo que a igualdade de oportunidades seja já absoluta, mas foi percorrido um caminho longo e árduo que é absolutamente necessário respeitar e nunca tomar como garantido. É preciso ter consciência que esse caminho nunca terminará e que “dormir à sombra de uma bananeira" nunca fez ninguém avançar nem evoluir.

Consigo também, à luz dos valores defendidos pelos movimentos feministas desde os seus primórdios, em meados do Sec. XIX, conceber e defender de forma acérrima, o combate a favor dos direitos das mulheres em regiões do mundo onde ainda hoje são tratadas como objectos e/ou seres a dominar e subjugar. E reconheço que mesmo no mundo ocidental é necessária máxima vigilância e atenção aos problemas que afectam sobretudo as mulheres mas que não se resumem a elas, como a violência doméstica, a violência nas escolas, o tráfico humano, a escravatura moderna entre outras questões de extrema importância e gravidade (deixo aqui um link para um resumo interessante da História do Feminismo, como complemento desta minha abordagem que reconheço demasiado superficial – mas não com desconhecimento de causa!).

US Navy 080123-N-3385W-028 Cmdr. Adrienne Simmons, medical provider for Provincial Reconstruction Team Khost and only woman on the team, speaks at the groundbreaking ceremony for a women's mosque and park in downtown Khost City.jpg
"US Navy 080123-N-3385W-028 Cmdr. Adrienne Simmons, medical provider for Provincial Reconstruction Team Khost and only woman on the team, speaks at the groundbreaking ceremony for a women's mosque and park in downtown Khost City" by U.S. Navy photo by Ensign Christopher Weis - This Image was released by the United States Navy with the ID 080123-N-3385W-028 (next). This tag does not indicate the copyright status of the attached work. A normal copyright tag is still required. See Commons:Licensing for more information. বাংলা | Deutsch | English | español | euskara | فارسی | français | italiano | 日本語 | 한국어 | македонски | മലയാളം | Plattdüütsch | Nederlands | polski | português | Türkçe | 中文 | 中文(简体)‎ | +/−. Licensed under Public domain via Wikimedia Commons."

O que não compreendo são os preconceitos modernos do mundo ocidental contra as mulhers que querem singrar na vida e ao mesmo tempo cuidar de si próprias, gostar de sapatos, de roupa, de se maquilhar, de ter um aspecto cuidado e apresentável para as pessoas que as rodeiam. Gostar de sapatos não é, de todo, incompatível com o gosto pela leitura. E não falo de leituras ligeiras. Preocupar-se com os cuidados da pele, não é incompatível com a luta pelos direitos humanos em geral e das mulheres em particular. Gostar de se vestir bem não é necessariamente uma afronta a todas aquelas e aqueles que perderam a vida pela causa da liberdade feminina.

Há aqueles e aquelas de cabeça vazia (afecta todos, não as mulheres em exclusivo), mas que até podem ter aspecto desmazelado e há aquelas e aqueles com preocupações sociais, sociológicas, humanitárias e culturais, e que têm uma apresentação irrepreensível. E há todo um leque de nuances entre qualquer extremo.

Ter a mente aberta e conseguir não julgar os outros pelas aparências ou de forma demasiado rápida, não é para todos. Às vezes fico com a sensação de que andamos todos aqui aos berros, demasiado ocupados a tentar fazermo-nos ouvir, de tal maneira que não ouvimos ninguém à nossa volta...

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